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10 min de leitura

Tipos de chapa de drywall: ST, RU e RF e onde usar cada uma

Por Comunidade Loucos por Drywall ·

Entenda as diferenças entre as chapas de drywall ST, RU e RF, aprenda a identificar cada uma pela cor e escolha a placa certa para cada ambiente.

Neste artigo

Escolher a chapa de drywall certa é a decisão que define se uma parede vai durar décadas ou começar a apresentar problemas em poucos meses. Muita gente acredita que "placa de gesso é tudo igual", mas essa ideia custa caro: uma chapa comum instalada em área molhada incha e desmancha, enquanto uma placa resistente ao fogo colocada num quarto qualquer é dinheiro jogado fora. Este guia educativo explica, de forma prática, o que são as chapas ST, RU e RF, como reconhecê-las, quais normas as regem e em que ambiente cada uma se encaixa melhor. A ideia é que você chegue à loja de materiais sabendo exatamente o que pedir e por quê.

O sistema de drywall, também chamado de gesso acartonado, é normatizado no Brasil pela ABNT NBR 15758, que trata dos sistemas construtivos em chapas de gesso para paredes internas, forros e revestimentos. As chapas em si seguem a NBR 14715. Conhecer a existência dessas normas ajuda a exigir produtos certificados e a entender por que a especificação correta importa tanto. Vamos por partes.

O que é uma chapa de drywall e como ela é feita#

A chapa de drywall é composta por um núcleo de gesso mineral prensado entre duas lâminas de cartão especial. Esse cartão não é papelão comum: ele funciona como a "armadura" da placa, dando resistência à flexão e servindo de base para receber massa, pintura, papel de parede ou revestimentos. O gesso, por si só, é frágil e quebradiço; combinado ao cartão, ele ganha estabilidade dimensional e leveza.

As placas mais comuns no mercado têm 1,20 m de largura e comprimentos de 1,80 m, 2,40 m, 2,60 m, 2,80 m ou 3,00 m. As espessuras usuais são de 12,5 mm para paredes e 9,5 mm ou 12,5 mm para forros. Além dessas dimensões, o que realmente diferencia uma chapa da outra é a formulação do núcleo e o tipo de cartão, que definem sua classe: ST, RU ou RF. Existem ainda variações específicas, como as placas de alta dureza (para impacto) e as placas glasroc/cimentícias para fachadas, mas as três classes clássicas cobrem a imensa maioria das obras residenciais.

A importância da cor de identificação#

Cada tipo de chapa recebe uma cor de cartão padronizada, o que facilita a identificação visual na obra. Embora a cor possa variar levemente entre fabricantes, a convenção mais adotada é:

  • Chapa ST (Standard): cartão na cor cinza ou branco-acinzentado, comum.
  • Chapa RU (Resistente à Umidade): cartão verde.
  • Chapa RF (Resistente ao Fogo): cartão rosa ou salmão.

Essa cor é o primeiro sinal para conferir se o material entregue é o que foi especificado. Nunca confie apenas na palavra do fornecedor: olhe a cor e a marcação impressa na borda da placa, que traz o tipo, a norma e o fabricante.

Chapa ST (Standard): a placa do dia a dia#

A chapa ST, ou Standard, é a mais usada e a mais econômica. Ela é indicada para ambientes internos secos, sem exposição direta à água ou à umidade constante. Estamos falando de quartos, salas, escritórios, corredores, closets e a maior parte das divisórias residenciais e comerciais.

Onde usar a chapa ST#

  • Paredes divisórias de dormitórios e salas.
  • Forros de ambientes secos, como salas e quartos.
  • Revestimento de paredes de alvenaria para embutir instalações ou nivelar superfícies.
  • Fechamento de estruturas de sancas e nichos decorativos em áreas secas.

Onde NÃO usar a chapa ST#

O erro mais comum é usar a chapa Standard em áreas úmidas para economizar. Banheiros, cozinhas, áreas de serviço, lavabos com pia e qualquer parede sujeita a respingos pedem placa resistente à umidade. A ST absorve água com facilidade; ao encharcar, o gesso perde coesão, o cartão descola e a placa incha, empena e pode até criar condições para o surgimento de mofo. Em ambientes de risco de incêndio elevado, como paredes próximas a fogões industriais ou lareiras, também não é a escolha adequada.

A chapa ST cumpre muito bem seu papel quando aplicada onde deve. Grande parte da má fama do drywall vem justamente da aplicação da placa errada no ambiente errado, e não de uma deficiência do sistema.

Chapa RU (Resistente à Umidade): a verde das áreas molhadas#

A chapa RU, de cartão verde, recebe aditivos hidrofugantes (silicones e outros agentes repelentes) no núcleo de gesso e um tratamento especial no cartão que reduzem drasticamente a absorção de água. Ela também é conhecida no mercado como placa RU ou, informalmente, "placa verde".

Atenção a um ponto que gera muita confusão: resistente à umidade não significa impermeável nem "à prova d'água". A placa RU suporta ambientes úmidos e respingos ocasionais, mas não pode ficar submersa nem em contato direto e permanente com água. Em áreas de box de chuveiro, por exemplo, a placa RU é a base, e não o acabamento: sobre ela é obrigatório aplicar impermeabilização e revestimento cerâmico.

Onde usar a chapa RU#

  • Paredes de banheiros, lavabos e áreas de serviço.
  • Paredes de cozinhas, especialmente próximas à pia.
  • Forros de ambientes úmidos, incluindo banheiros e cozinhas.
  • Áreas com ventilação deficiente e tendência a condensação.
  • Base para receber revestimento cerâmico em zonas molhadas (sempre com impermeabilização adequada).

Cuidados específicos com a chapa RU#

Mesmo sendo resistente à umidade, a região do box e outras áreas de molhagem intensa exigem uma camada de impermeabilização (mantas ou argamassas poliméricas) aplicada sobre a placa antes do assentamento das peças cerâmicas. As juntas e os cantos também merecem atenção redobrada com fitas e selantes apropriados. A ventilação do ambiente é aliada da durabilidade: banheiros bem ventilados prolongam muito a vida útil de qualquer sistema construtivo.

Chapa RF (Resistente ao Fogo): a rosa da segurança#

A chapa RF, de cartão rosa ou salmão, leva fibra de vidro e vermiculita incorporadas ao núcleo de gesso. Esses componentes aumentam a coesão do núcleo em altas temperaturas e retardam a propagação do calor e das chamas, garantindo um tempo maior de resistência ao fogo, o chamado tempo requerido de resistência ao fogo (TRRF), medido em minutos.

O gesso já é, por natureza, um bom retardante: ele contém água em sua composição química (água de cristalização), que ao ser aquecida evapora e "rouba" energia do fogo, atrasando o aumento de temperatura. A chapa RF potencializa esse comportamento, sendo exigida em situações em que a legislação de incêndio ou o projeto de segurança determina compartimentação corta-fogo.

Onde usar a chapa RF#

  • Paredes de compartimentação corta-fogo entre unidades ou setores.
  • Proteção de estruturas metálicas e de rotas de fuga (escadas, corredores enclausurados).
  • Ambientes com risco elevado, como casas de máquinas e certas áreas técnicas.
  • Poços de elevadores, shafts e paredes exigidas pelo corpo de bombeiros.
  • Locais onde o projeto de prevenção contra incêndio e pânico (PPCI) especifica resistência ao fogo.

A definição do uso de chapa RF, do número de camadas e da montagem exata deve seguir o projeto de segurança contra incêndio e as exigências do corpo de bombeiros da sua região. Este texto é educativo e não substitui o projeto técnico de um profissional habilitado.

Combinações e chapas especiais#

Na prática, os ambientes podem exigir combinações. Um banheiro em uma parede que também precisa de resistência ao fogo pode pedir uma montagem com placa RU de um lado e RF do outro, ou o uso de placas que unem características. Existem no mercado chapas que combinam resistência à umidade e ao fogo (às vezes de cartão verde com marcação específica), além de placas de alta resistência a impacto para áreas de grande circulação, corredores de escolas e hospitais.

Vale lembrar que aumentar o desempenho acústico ou de resistência muitas vezes se resolve com o número de camadas de chapa e o preenchimento do miolo da parede com lã mineral, e não apenas trocando o tipo de placa. A engenharia do sistema é o conjunto: perfis, chapas, isolamento e fixações trabalhando juntos.

Tabela mental rápida para não errar#

Para memorizar de forma simples na hora da compra:

  • Ambiente seco (quarto, sala, escritório): chapa ST (cinza/branca).
  • Ambiente úmido (banheiro, cozinha, área de serviço): chapa RU (verde).
  • Ambiente com exigência de fogo (rotas de fuga, compartimentação, shafts): chapa RF (rosa).

E lembre-se: na dúvida entre economizar e proteger, especifique para cima. O custo adicional de uma placa RU em vez de ST é pequeno perto do prejuízo de refazer uma parede encharcada.

Erros comuns na escolha e instalação#

  • Usar chapa ST em banheiro para poupar dinheiro: leva a inchamento e mofo.
  • Achar que a placa RU dispensa impermeabilização no box: ela é base, não acabamento à prova d'água.
  • Ignorar a cor e a marcação de borda ao receber o material: pode-se receber placa errada.
  • Esquecer da lã mineral quando o objetivo é conforto acústico: só trocar a placa não resolve.
  • Não considerar o projeto de incêndio ao definir onde entra a chapa RF.
  • Estocar chapas deitadas e sem apoio adequado, o que empena as placas antes mesmo do uso.

Armazenamento e transporte das chapas#

A durabilidade começa antes da instalação. As chapas devem ser armazenadas na horizontal, empilhadas sobre calços que distribuam o apoio, em local coberto e seco, protegidas de chuva e umidade do piso. Placas molhadas ainda embaladas perdem características e podem chegar comprometidas à obra. No transporte manual, o ideal é carregar a placa na vertical, de pé, o que reduz o risco de quebra pelo próprio peso.

Quando chamar um profissional#

Para divisórias simples em áreas secas, um bom instalador (montador de drywall) resolve com folga. Já quando o projeto envolve compartimentação corta-fogo, desempenho acústico exigido por norma, grandes vãos, forros com cargas suspensas ou áreas molhadas complexas, a recomendação é contar com projeto e acompanhamento de profissional habilitado (engenheiro ou arquiteto) e com a especificação técnica do fabricante. As normas ABNT NBR 15758 e NBR 14715 são referência, mas a interpretação e a responsabilidade técnica cabem ao profissional.

Perguntas frequentes#

A placa verde é à prova d'água?#

Não. A chapa RU é resistente à umidade, o que significa que tolera ambientes úmidos e respingos, mas não é impermeável nem pode ficar submersa. Em áreas de molhagem intensa, como box, ela precisa receber impermeabilização e revestimento por cima.

Posso usar chapa RF no lugar da ST em qualquer parede?#

Tecnicamente a RF funciona em ambiente seco, mas é mais cara e desnecessária onde não há exigência de resistência ao fogo. Usá-la sem necessidade é desperdício. Use RF apenas onde o projeto de incêndio pedir.

Como sei qual chapa foi realmente instalada na minha casa?#

Se as paredes já estão fechadas e acabadas, não dá para ver a cor. Nesse caso, vale consultar a documentação da obra, o memorial descritivo ou, em último caso, fazer uma pequena abertura de inspeção. Por isso é tão importante acompanhar a compra e a instalação, conferindo a cor e a marcação de borda das placas.

Qual a espessura ideal de chapa para parede?#

Para paredes, a espessura mais usada é 12,5 mm. Forros costumam usar 9,5 mm ou 12,5 mm. A definição final depende do vão, das cargas e do desempenho desejado, seguindo o projeto e a orientação do fabricante.

Uma parede de drywall segura peso na parede?#

Sim, desde que a fixação seja adequada ao tipo de carga. Objetos leves usam buchas específicas para drywall; cargas pesadas, como armários e TVs grandes, pedem reforços internos previstos na montagem (mãos-francesas, réguas de madeira ou perfis adicionais no miolo da parede). Planejar a fixação antes de fechar a parede evita dor de cabeça depois.

Conclusão#

Escolher entre chapa ST, RU e RF não é um detalhe técnico distante: é a base para uma obra em drywall bem-sucedida. A regra de ouro é simples: ambiente seco pede ST, ambiente úmido pede RU e exigência de fogo pede RF. Some a isso a atenção à cor de identificação, ao armazenamento correto e ao respeito às normas ABNT, e você terá paredes leves, rápidas de montar e duráveis. Sempre que a obra envolver segurança contra incêndio, desempenho acústico normatizado ou áreas molhadas complexas, procure um profissional habilitado. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui projeto, laudo ou responsabilidade técnica.

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